Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Human Nature

Tinha os seus demónios é certo, era uma figura controversa de facto, e os lados mais obscuros da sua excêntrica personalidade ficarão para sempre por definir. Monstro, louco ou génio, criança grande?... Nunca o chegaremos a saber, e é certo que cada um será livre de tirar as suas próprias conclusões.... Mas o que é certo também é que possuía um talento inigualável, e que, quer se goste ou não do estilo, quebrou barreiras e mudou para sempre o curso da música pop na era em que vivemos. Era o ídolo de uma geração, e  também era pai, era filho, era irmão, e era sobretudo como ele tanto fazia questão de o lembrar em (quase) todas as entrevistas que deu, humano. Vamos celebrar o legado que ele nos deixou, sem deixar que o que foi menos bom, se sobreponha ao que foi muito bom. Agora, de uma vez por todas, será melhor se pusermos de lado os rótulos de "jacko", "freak", "weirdo", "palhaço"... A hora para tal fazermos (se é que alguma vez é aceitável rotularmos alguém!), passou. Há dois momentos da nossa vida em que acredito somos todos iguais, e esses momentos são quando nascemos e quando morremos... E aí, mais do que nunca, merecemos ser tratados com igual dignidade. Ontem morreu um homem, e isso nunca em circunstância alguma, pode ser tratado com leveza, ou ser motivo de piadas de mau gosto e chacotas.

O respeito é (sempre) bom... E penso que ele teria gostado.

Jo

 

Palavra de Joanina às 17:10

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Domingo, 3 de Maio de 2009

P'RA CIMA!

Hoje lembrei-te especialmente de ti... Por ser o Dia da Mãe, é verdade, mas também por me ter vindo à ideia uma expressão que me dizias sempre que a tristeza e o desânimo me assaltavam... Uma expressão muito tua que repetias sempre que me pressentias prestes a recuar ou a desistir... Recordei eu que em tempos quando te confidenciava algum desgosto ou contrariedade, tu, subindo ao teu pedestal de líder matriarcal e com a tua voz de comando, punhas logo um fim ao meu choradinho e impunhas sem dó nem piedade: Eh!!! Isso agora o que é?! Vamos lá!! P"RA CIMA!...

E lembrei-me também que às vezes eu me revoltava por não entender tal falta de compaixão da tua parte... Então eu estava ali à tua frente, frágil, vulnerável, de braços caídos, e tu em vez de me abraçares e te condoeres com as minha dores, vinhas com a tua atitude autoritária?!?... E que diabo de mulherzinha exigente eras tu, que não eras compreensiva como as outras mães e nem sequer te contentavas, como o comum dos mortais se contenta, em dizer apenas e somente um vulgar "para a frente é que é o caminho", que afinal é o que toda a gente diz?!!... Não!! Contigo tinha de ser tudo sempre diferente... Tinha de tudo ser sempre levado aos seus limites!!!... Para ti, ir para a frente e trilhar o nosso caminho, não era o suficiente... Para ti, o trilho a seguir era aquele que ía unicamente e sem retorno, P'RA CIMA!...

E foi à conta dessa tua atitude que muitas vezes te escondi os meus fracassos, os meus desgostos e as minhas fraquezas, pois a verdade é que a uma dada altura da minha vida em que tudo parecia dar para o torto, eu cheguei a um ponto em que não suportava mais que me mandasses P'RA CIMA!! Não suportava que tal me dissesses, principalmente quando eu sentia que muitas vezes nem forças tinha para rastejar sequer!!... E em silêncio sofri... A um canto, só,  fui lambendo as minhas feridas.

Mas a verdade também é que de pouco ou nada me serviu afastar-me de ti só para não ter de te ouvir mandar-me para onde eu me recusava ir...  E o certo é que de todas as vezes que tropecei, de todas as vezes que caí, eu me levantei num salto e me elevei, porque na minha mente ecoou o teu grito de guerra: Eh! Vamos lá!! P'RA CIMA!!!... E mesmo que nesses momentos tu não estivesses lá presente fisicamente para me ver e me espicaçar, eu senti em mim a responsabilidade de não te desobedecer e sobretudo, de não te decepcionar... E de te provar que dentro de mim eu sabia, que o único caminho a seguir quando não já havia mais nada a fazer, era ir para onde tu teimavas em me mandar... Era ir, P'RA CIMA!

E então aconteceu que com o tempo e a maturidade eu comecei a perceber que essa tua expressão, que tinha o condão de tanto me mexer com as entranhas mas de ao mesmo tempo me mover, não era mais do que a tua mão que me emprestavas de cada vez que eu vacilava, tombava e me perdia ...  O teu P'RA CIMA não era mais do que um (a)braço que me protegia e me mostrava a luz a seguir... E percebi acima de tudo que por vezes mais do que um carinho, o que precisamos mesmo é que nos mostrem que somos capazes, que confiem nas nossas capacidades, e nos tragam de volta  ao nosso caminho!... E hoje finalmente, em paz contigo e comigo, eu compreendo tudo... E estou-te grata por nunca teres desistido de mim e por teres sempre acreditado que eu era capaz de cumprir o que me estava destinado... Estou-te grata por teres visto em mim uma força que tantas vezes duvidei ter, e por me teres mostrado que baixar os braços e desistir não é nunca, e em circunstância alguma, uma solução aceitável!... Hoje eu  sou corajosa e acredito em mim porque tu me ensinaste que para a frente afinal todos podemos ir, mas só alguns é que têm a força e a determinação necessárias para insistir sempre em ir, P'RA CIMA!

Mãe, eu sei que tu fisicamente ainda te encontras entre nós, mas aceito conformada e já sem dor, que parte de ti partiu... Mas essa parte de ti que te foi roubada pela doença que precocemente sobre ti se abateu, eu tenho a certeza e conhecendo como te conheço, que essa parte de ti, só pode mesmo estar num lugar... E esse lugar fica sem sombra de dúvida, algures, P'RA CIMA!!!... E eu prometo-te que não te vou decepcionar nunca, e que vou continuar a trilhar o caminho que me mostraste... Eu sei que um dia, também hei-de lá chegar... Um dia, mãe, havemos nós as duas de nos encontrar, nesse teu tal lugar que eternamente aponta, P'RA CIMA.

OBRIGADA!

A tua Jo

 

A minha mãe sofre de doença de Alzheimer. Para saber mais sobre a doença, e consultar o site da APFADA - Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer, clique aqui.

Hoje sinto-me: Tua filha (orgulhosamente)
Sábado, 14 de Março de 2009

Ser Feliz... Apesar de tudo

     Lágrima (Pastel sobre Canson, 40x28cms)

               Maria João Brito de Sousa

 

Eu sou feliz, mas, não... feliz não estou.

Tantos velhos amigos me partiram...

Tantas horas magoadas me impediram

As muitas gargalhadas que não dou...

 

No entanto, esta tarde, o sol brilhou

E outros velhos amigos me sorriram...

Feliz? Serei então (se mo pediram...)

Quando eu puder dizer que já passou.

 

Contudo, mesmo em mágoa, se chorando,

Eu sinto estar a dar o meu melhor

E encontro sempre tempo para amar,

 

Talvez possa dizer-vos que, sonhando,

Penso que `inda podia ser pior

E até sou feliz mesmo a chorar...

 

Maria João Brito de Sousa in Poetaporkedeusker

 

(para ver mais quadros da pintora/poetisa visite a sua galeria online aqui)

 

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Palavra de Joanina às 23:59

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Sexta-feira, 6 de Março de 2009

A Concha

 

Ilha Terceira, Açores - Foto de João Costa

 

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.

A minha casa. . . Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

 

Vitorino Nemésio (poeta e escritor natural da Ilha Terceira)

 

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Quinta-feira, 5 de Março de 2009

O que amamos está sempre longe de nós

 

Ilha Terceira, Açores - Foto de João Costa

 

O que amamos está sempre longe de nós:
e longe mesmo do que amamos - que não sabe
de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor.

 

O que amamos está como a flor na semente,
entendido com medo e inquietude, talvez
só para em nossa morte estar durando sempre.

 

Como as ervas do chão, como as ondas do mar,
os acasos se vão cumprindo e vão cessando.
Mas, sem acaso, o amor límpido e exacto jaz.

 

Não necessita nada o que em si tudo ordena:
cuja tristeza unicamente pode ser
o equívoco do tempo, os jogos da cegueira

 

com setas negras na escuridão.

 

Cecília Meireles

 

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Joanina (sem agá), sou eu!

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