Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Confiança cega

  

Jo (1 ano) e M. Jesus (15 anos) - Foto do meu albúm pessoal

 

 À M. Jesus

 

Eu confio que me vês, e olhas por mim

Com esse olhar de meiguice
Com que em tempos me velaste o sono e a vida
E sei que à noite
A brisa morna que me roça o rosto imediatamente antes de adormecer
É o teu beijo que me aconchega
 
Eu sinto
Quando o calor e a paz das tuas asas me envolve
E voo contigo, deixo-me levar,
Porque em ti confio cegamente
 
Eu descrutino em cada silêncio
O som da tua voz que me diz que avance sempre que hesito
E sigo em frente
Porque sei que o teu amor ainda me protege e sustem
Nunca me abandona ou de mim desiste
 
Eu sei de cor o teu cheiro, o timbre da tua voz,
O teu riso, o teu sorriso
Sei o toque das tuas mãos, cada pormenor do teu rosto
Todas as formas do teu corpo
 
Eu tenho-te guardada mim
O meu corpo de criança ainda colado ao teu
Nós duas numa união perfeita
Intocável
E o tempo parado no instante em me deste o teu colo pela primeira vez
 
Paula Belnavis (Joanina)

 

Este poema vem na sequência do desafio a respeito da Confiança, que a Maria João do Poetaporkedeusker e do Premios e Medalhas (seu outro blog), já há algum tempo atrás me propôs, e ao qual eu ainda não tinha respondido.
 
Hoje sinto-me:
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Palavra de Joanina às 05:29

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Sábado, 14 de Março de 2009

Ser Feliz... Apesar de tudo

     Lágrima (Pastel sobre Canson, 40x28cms)

               Maria João Brito de Sousa

 

Eu sou feliz, mas, não... feliz não estou.

Tantos velhos amigos me partiram...

Tantas horas magoadas me impediram

As muitas gargalhadas que não dou...

 

No entanto, esta tarde, o sol brilhou

E outros velhos amigos me sorriram...

Feliz? Serei então (se mo pediram...)

Quando eu puder dizer que já passou.

 

Contudo, mesmo em mágoa, se chorando,

Eu sinto estar a dar o meu melhor

E encontro sempre tempo para amar,

 

Talvez possa dizer-vos que, sonhando,

Penso que `inda podia ser pior

E até sou feliz mesmo a chorar...

 

Maria João Brito de Sousa in Poetaporkedeusker

 

(para ver mais quadros da pintora/poetisa visite a sua galeria online aqui)

 

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Palavra de Joanina às 23:59

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Sexta-feira, 6 de Março de 2009

A Concha

 

Ilha Terceira, Açores - Foto de João Costa

 

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.

A minha casa. . . Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

 

Vitorino Nemésio (poeta e escritor natural da Ilha Terceira)

 

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Quinta-feira, 5 de Março de 2009

O que amamos está sempre longe de nós

 

Ilha Terceira, Açores - Foto de João Costa

 

O que amamos está sempre longe de nós:
e longe mesmo do que amamos - que não sabe
de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor.

 

O que amamos está como a flor na semente,
entendido com medo e inquietude, talvez
só para em nossa morte estar durando sempre.

 

Como as ervas do chão, como as ondas do mar,
os acasos se vão cumprindo e vão cessando.
Mas, sem acaso, o amor límpido e exacto jaz.

 

Não necessita nada o que em si tudo ordena:
cuja tristeza unicamente pode ser
o equívoco do tempo, os jogos da cegueira

 

com setas negras na escuridão.

 

Cecília Meireles

 

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Quarta-feira, 4 de Março de 2009

A Ilha do Meu Fado

 

 

Ilha Terceira, Açores - Foto de João Costa 

 

Esta ilha que há em mim
E que em ilha me transforma
Perdida num mar sem fim
Perdida dentro de mim
Tem da minha ilha a forma

Esta lava incandescente
Derramada no meu peito
Faz de mim um ser diferente
Tenho do mar a semente
Da saudade tenho o jeito

Trago no corpo a mornaça
Das brumas e nevoeiros
Há uma nuvem que ameaça
Desfazer-se em aguaceiros
Nestes meus olhos de garça

Neste beco sem saída
Onde o meu coração mora
Oiço sons da despedida
Vejo sinais de partida
Mas teimo em não ir embora

 

João Mendonca/Zeca Medeiros

(Interpretado por Dulce Pontes)

 

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Palavra de Joanina às 05:20

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