Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Carta para a minha Mina Kida

Mina Kida

Já ando há horas aqui á volta para te escrever esta carta. É que hoje é o dia do teu aniversário e eu queria dizer-te coisas muito especiais, e escrever-te uma carta linda e poética, que mostrasse tudo o que eu sinto por ti e tudo o que tu representas para mim!

Mas tu, que me conheces bem, sabes que eu sou melhor com a palavra dita do que com a escrita. Sabes que me expresso melhor com gestos, cumplicidades, risos e olhares... E por isso, eu sei que me vais desculpar, se isto não me sair tão bem quanto era meu desejo... Vais-me desculpar, se isto me sair assim só mais ou menos, está bem?...

Vou começar do princípio, pois já dizia a senhora nossa mãe, do alto da sua sapiência que, “do princípio é que se começa”.

Há 34 anos atrás, mais precisamente no dia 11 de Abril de 1974, ás 16 horas e 20 minutos, a minha vida mudou completamente. Chegaste tu, sem aviso prévio, numa altura em que toda esta família, já se tinha habituado à ideia de que seria eu, para o restos dos meus e nossos dias, o bebé deste clã! Mas não, tu, que sempre foste teimosinha e surpreendente, lá do sítio onde estavas, achaste que devias vir assim, mesmo fora de horas, roubar-me o trono, que eu já dava como "favas contadas"... O meu trono de menina "pechinchinha"!

No dia em que tu nasceste eu tinha, para ser exacta, 8 anos, 9 meses e 13 dias! Lembro-me de obviamente ficar muito contente e de andar pela vizinhança toda a dar a boa nova, de que a nossa bebé já tinha nascido!!!... Mal sabia eu o que me esperava!... Sabes tão bem quanto eu, que os nossos primeiros tempos de convívio não foram assim lá muito fáceis... Uma rainha que se preza como eu, não abdica facilmente do seu trono, e admito que nos teus primeiros meses de vida, vivi dividida entre o gostar da novidade que tu eras, e o estar apostada em não te fazer a vida fácil!... E admito também, que numa altura em que ainda não falavas, e como tal não me podias acusar a quem quer que fosse, admito sim, que me aproveitei um bocadinho dessa tua fraqueza... Fazia-te tropelias, as quais, se eu nunca te tivesse contado, até hoje teriam ficado no segredo dos Deuses. Mas eu contei-te, e tive sorte, porque tu até achaste graça... E agora que já sabes, também posso contar a toda a gente. Eu fazia-te caras feias e dizia-te "não, não!" com toda a veemência, só para te ver fazer beicinhos de ofendida e escancarar, num choro desalmado, a boca desdentada ... Eu pegava em ti quando dormias, e tentava pôr-te de pé, deliciando-me ao ver-te numa dança bamboleada de boneca de trapos... Enfim "maldades" endiabradas que eu te fazia...

Depois lembro, que essas "maldades" com o passar do tempo se foram modificando e tornado cada vez mais e mais sofisticadas.  Numa fase em que já estavas mais consciente de ti e do quanto eram importantes os que te rodeavam, eu fingia, ora doenças terminais, ora dores agudas, ora tiros certeiros e mortais, que me deixavam no chão prostrada e agonizante, e tu choravas que te matavas acreditando, na tua inocência, que me ias perder... E aqui é a parte onde começo a chorar eu... Porque vendo assim à distância, e à luz dos olhos de pessoa adulta que hoje sou, percebo o imenso amor  que nessa altura já te unia a mim!... E eu também gostava de ti, Mina! Gostava muito!... Mas para mim tu eras uma boneca com vida, e na minha cabeça de menina traquinas dada já na altura a originalidades de comportamento, tu representavas acima tudo um imenso universo de curiosidades a descobrir!... Mas atrevo-me a dizer que, talvez por teres levado com esse meu lado, tão precocemente na vida, talvez por isso é que hoje me compreendes e me aches piada, a mim e ás minhas loucuras e excentricidades, como mais ninguém acha!

Mas não foste só tu que levaste comigo... Houve um tempo das nossas vidas, em que, por razões que agora não são para aqui chamadas, eu também tive de levar contigo, e de te levar comigo, para todo o lado! E para uma menina de 11 anos, ter atracada a si, um bebé de 3 anos, ás vezes isso foi uma responsabilidade e um fardo maior do que eu poderia suportar.

Mas de nada disto me arrependo, de nada disto falo com mágoa. De nada disto tu e eu nos arrependemos, de nada disto falamos com mágoa!... Porque, hoje sabemos que tudo isso, teve uma razão de ser. Crescemos, assim, juntas!!! Sempre juntas, inseparáveis! Não importa se entre tropelias crueis às vezes, se entre lutas e brigas, se entre dificuldades e coisas que na altura nem eu nem tu compreendíamos bem... Nada disso importa, porque tudo isso, hoje sabemos, eu e tu, teve um propósito! Tornar-nos só uma! Unir-nos com uma força que nada pode nunca separar!

E hoje, aqui, eu quero que saibas que sem ti a minha vida não teria sido, não seria, tão feliz! Que sem ti, nem eu, nem a nossa família, estaríamos completos! Quero que saibas que eu me orgulho de ti, de tudo o que tu fizeste, fazes ou poderás ainda vir a fazer! Orgulho-me das tuas conquistas, das batalhas que venceste, dos obstáculos que ultrapassaste! E orgulho-me também dos teus fracassos, dos teus erros, das batalhas que não venceste, dos obstáculos que não ultrapassaste! Orgulho-me de ti incondicionalmente! Orgulho-me ao ver a minha bebé, transformar-se nessa mulher linda, forte, resoluta, corajosa, determinada!... E dá-me paz, agora por vezes, poder descansar a minha cabeça no teu ombro, na tua paz!...

Um dia houve alguém que me disse que a nossa relação era demasiado simbiótica, quase irracional!.. E eu respondi que os grandes amores, os amores sublimes, são sempre simbióticos e irracionais!! 

Só mais uma coisa... Ás vezes dizes que te queres ir embora, e eu fico em pânico, perdida, e ninguém, nem mesmo tu, percebe porquê! Mas é que se tu te fores embora, há uma parte de mim que vai contigo também... É que afinal, ninguém pode viver sem coração! E tu és o meu coração!!

E eu sou e serei sempre a tua Joanina, (a quem tu deste o nome)! Aquela  que tantas vezes na vida te carregou nas suas asas, para que não te cansasses, para que não sofresses...  

Eu estou, e vou estar sempre aqui, não vou a lugar nenhum, e quero que saibas que outras tantas vezes mais te carregarei se assim preciso fôr... Tu és, e serás sempre, a minha Mina Kida (menina querida)!!

Um beijo da tua Jo

 

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Palavra de Joanina às 05:57

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De Kunhov a 11 de Abril de 2008 às 19:09
Não te sabia tão talentosa da escrita. Mais uma grande novidade. Um texto verdadeiro, profundo e sentido... que enternece qualquer alma! De facto, um "voo astral" da Joanina! Parabéns!
Beijinho de aniversário à "bébé" Kida.
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