Quinta-feira, 18 de Março de 2010

Fazer de conta

Eu vou fazer de conta que partiste em mais uma das tuas viagens, e que um dia destes, quando menos esperar, tu vais voltar radiante e entre risos e cochicos,  vais-me contar como foi.

E mesmo que não voltes, eu vou fazer de conta que te posso ir visitar nesse lugar para onde partiste. E  vou fazer de conta que quando lá chegar me vais receber  como sempre com um sorriso, e que enquanto através do espelho vejo reflectida a imagem de ti, tu falas, falas, ao mesmo tempo que as tuas mãos de dedos esguios que nem varinhas de condão,  voam sobre a minha cabeça e me talham sem esforço um novo penteado.

Mesmo que me sinta triste, eu vou fazer de conta que estou feliz, pois a nossa amizade sempre foi um pacto de alegria, e eu sei que é assim que queres que  permaneça.

Eu vou fazer de conta, pois por mais que achemos que sim, nunca estamos preparados para ver um Amigo partir.

Que nessa tua viagem e nesse lugar para onde foste, encontres a Luz e a Paz.

E, sem fazer de conta!, tenho a certeza que um dia nos voltaremos a encontrar.

Jo

 

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Palavra de Joanina às 01:18

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Human Nature

Tinha os seus demónios é certo, era uma figura controversa de facto, e os lados mais obscuros da sua excêntrica personalidade ficarão para sempre por definir. Monstro, louco ou génio, criança grande?... Nunca o chegaremos a saber, e é certo que cada um será livre de tirar as suas próprias conclusões.... Mas o que é certo também é que possuía um talento inigualável, e que, quer se goste ou não do estilo, quebrou barreiras e mudou para sempre o curso da música pop na era em que vivemos. Era o ídolo de uma geração, e  também era pai, era filho, era irmão, e era sobretudo como ele tanto fazia questão de o lembrar em (quase) todas as entrevistas que deu, humano. Vamos celebrar o legado que ele nos deixou, sem deixar que o que foi menos bom, se sobreponha ao que foi muito bom. Agora, de uma vez por todas, será melhor se pusermos de lado os rótulos de "jacko", "freak", "weirdo", "palhaço"... A hora para tal fazermos (se é que alguma vez é aceitável rotularmos alguém!), passou. Há dois momentos da nossa vida em que acredito somos todos iguais, e esses momentos são quando nascemos e quando morremos... E aí, mais do que nunca, merecemos ser tratados com igual dignidade. Ontem morreu um homem, e isso nunca em circunstância alguma, pode ser tratado com leveza, ou ser motivo de piadas de mau gosto e chacotas.

O respeito é (sempre) bom... E penso que ele teria gostado.

Jo

 

Palavra de Joanina às 17:10

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Domingo, 3 de Maio de 2009

P'RA CIMA!

Hoje lembrei-te especialmente de ti... Por ser o Dia da Mãe, é verdade, mas também por me ter vindo à ideia uma expressão que me dizias sempre que a tristeza e o desânimo me assaltavam... Uma expressão muito tua que repetias sempre que me pressentias prestes a recuar ou a desistir... Recordei eu que em tempos quando te confidenciava algum desgosto ou contrariedade, tu, subindo ao teu pedestal de líder matriarcal e com a tua voz de comando, punhas logo um fim ao meu choradinho e impunhas sem dó nem piedade: Eh!!! Isso agora o que é?! Vamos lá!! P"RA CIMA!...

E lembrei-me também que às vezes eu me revoltava por não entender tal falta de compaixão da tua parte... Então eu estava ali à tua frente, frágil, vulnerável, de braços caídos, e tu em vez de me abraçares e te condoeres com as minha dores, vinhas com a tua atitude autoritária?!?... E que diabo de mulherzinha exigente eras tu, que não eras compreensiva como as outras mães e nem sequer te contentavas, como o comum dos mortais se contenta, em dizer apenas e somente um vulgar "para a frente é que é o caminho", que afinal é o que toda a gente diz?!!... Não!! Contigo tinha de ser tudo sempre diferente... Tinha de tudo ser sempre levado aos seus limites!!!... Para ti, ir para a frente e trilhar o nosso caminho, não era o suficiente... Para ti, o trilho a seguir era aquele que ía unicamente e sem retorno, P'RA CIMA!...

E foi à conta dessa tua atitude que muitas vezes te escondi os meus fracassos, os meus desgostos e as minhas fraquezas, pois a verdade é que a uma dada altura da minha vida em que tudo parecia dar para o torto, eu cheguei a um ponto em que não suportava mais que me mandasses P'RA CIMA!! Não suportava que tal me dissesses, principalmente quando eu sentia que muitas vezes nem forças tinha para rastejar sequer!!... E em silêncio sofri... A um canto, só,  fui lambendo as minhas feridas.

Mas a verdade também é que de pouco ou nada me serviu afastar-me de ti só para não ter de te ouvir mandar-me para onde eu me recusava ir...  E o certo é que de todas as vezes que tropecei, de todas as vezes que caí, eu me levantei num salto e me elevei, porque na minha mente ecoou o teu grito de guerra: Eh! Vamos lá!! P'RA CIMA!!!... E mesmo que nesses momentos tu não estivesses lá presente fisicamente para me ver e me espicaçar, eu senti em mim a responsabilidade de não te desobedecer e sobretudo, de não te decepcionar... E de te provar que dentro de mim eu sabia, que o único caminho a seguir quando não já havia mais nada a fazer, era ir para onde tu teimavas em me mandar... Era ir, P'RA CIMA!

E então aconteceu que com o tempo e a maturidade eu comecei a perceber que essa tua expressão, que tinha o condão de tanto me mexer com as entranhas mas de ao mesmo tempo me mover, não era mais do que a tua mão que me emprestavas de cada vez que eu vacilava, tombava e me perdia ...  O teu P'RA CIMA não era mais do que um (a)braço que me protegia e me mostrava a luz a seguir... E percebi acima de tudo que por vezes mais do que um carinho, o que precisamos mesmo é que nos mostrem que somos capazes, que confiem nas nossas capacidades, e nos tragam de volta  ao nosso caminho!... E hoje finalmente, em paz contigo e comigo, eu compreendo tudo... E estou-te grata por nunca teres desistido de mim e por teres sempre acreditado que eu era capaz de cumprir o que me estava destinado... Estou-te grata por teres visto em mim uma força que tantas vezes duvidei ter, e por me teres mostrado que baixar os braços e desistir não é nunca, e em circunstância alguma, uma solução aceitável!... Hoje eu  sou corajosa e acredito em mim porque tu me ensinaste que para a frente afinal todos podemos ir, mas só alguns é que têm a força e a determinação necessárias para insistir sempre em ir, P'RA CIMA!

Mãe, eu sei que tu fisicamente ainda te encontras entre nós, mas aceito conformada e já sem dor, que parte de ti partiu... Mas essa parte de ti que te foi roubada pela doença que precocemente sobre ti se abateu, eu tenho a certeza e conhecendo como te conheço, que essa parte de ti, só pode mesmo estar num lugar... E esse lugar fica sem sombra de dúvida, algures, P'RA CIMA!!!... E eu prometo-te que não te vou decepcionar nunca, e que vou continuar a trilhar o caminho que me mostraste... Eu sei que um dia, também hei-de lá chegar... Um dia, mãe, havemos nós as duas de nos encontrar, nesse teu tal lugar que eternamente aponta, P'RA CIMA.

OBRIGADA!

A tua Jo

 

A minha mãe sofre de doença de Alzheimer. Para saber mais sobre a doença, e consultar o site da APFADA - Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer, clique aqui.

Hoje sinto-me: Tua filha (orgulhosamente)
Palavra de Joanina às 16:42

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Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Plim!

Há dias em que eu queria mesmo que as fadas-madrinhas existissem. Queria que houvesse assim como que um Serviço Público de Fadas-Madrinhas, com um número de telefone para onde ligássemos e através do qual pudessemos requisitar os serviços de um desses personagens maravilhosos das histórias de encantar... E depois, lá vinha ela, a nossa fada-madrinha de encomenda. E com a sua varinha de condão, plim aqui, plim acolá, satisfazia todos os nossos desejos!

Há dias em que me dava mesmo tanto jeitinho ter uma fada-madrinha!!... E dou comigo a pensar como seria bom chegar a casa cansada do trabalho, e encontrar tudo arrumadinho, tudo em ordem, tudo nos seus lugares... Por obra e graça de uma varinha de mágica, encontrar já feitas todas as coisas que deixei a meio quando de manhã, apressada e ainda a calçar os sapatos, fechei a porta e saí para o trabalho. E encontrar o jantar já feito, a mesa posta!... Um banho de imersão à minha espera... Sais de banho, óleos de cânfora, toalhas felpudas, chinelos fofos onde enfiar os pés moídos, um pijama quentinho, velas de cheiro e uma taça de vinho!!... Sim, porque as fadas são fadas, e para isso mesmo é que elas servem... Para por nós fazerem coisas maravilhosas... Para lerem os nossos pensamentos e connosco comunicarem por telepatia.

Há dias em que fecho os olhos com força e desejo mesmo que elas existam... E hoje foi um desses dias.

Jo

Hoje sinto-me: (Des)Encantada
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Palavra de Joanina às 05:24

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Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Confiança cega

  

Jo (1 ano) e M. Jesus (15 anos) - Foto do meu albúm pessoal

 

 À M. Jesus

 

Eu confio que me vês, e olhas por mim

Com esse olhar de meiguice
Com que em tempos me velaste o sono e a vida
E sei que à noite
A brisa morna que me roça o rosto imediatamente antes de adormecer
É o teu beijo que me aconchega
 
Eu sinto
Quando o calor e a paz das tuas asas me envolve
E voo contigo, deixo-me levar,
Porque em ti confio cegamente
 
Eu descrutino em cada silêncio
O som da tua voz que me diz que avance sempre que hesito
E sigo em frente
Porque sei que o teu amor ainda me protege e sustem
Nunca me abandona ou de mim desiste
 
Eu sei de cor o teu cheiro, o timbre da tua voz,
O teu riso, o teu sorriso
Sei o toque das tuas mãos, cada pormenor do teu rosto
Todas as formas do teu corpo
 
Eu tenho-te guardada mim
O meu corpo de criança ainda colado ao teu
Nós duas numa união perfeita
Intocável
E o tempo parado no instante em me deste o teu colo pela primeira vez
 
Paula Belnavis (Joanina)

 

Este poema vem na sequência do desafio a respeito da Confiança, que a Maria João do Poetaporkedeusker e do Premios e Medalhas (seu outro blog), já há algum tempo atrás me propôs, e ao qual eu ainda não tinha respondido.
 
Hoje sinto-me:
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Palavra de Joanina às 05:29

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